Patafísica: uma história sem fim…

setembro 10, 2008 at 2:36 pm 3 comentários

Após conhecer uma ciência chamada Patafísica (não, isso não se refere a uma academia para patos), pensando um pouco nas minhas crenças eu descobri que a vida é patafísica.
A linguagem da patafísica fala “da leitura em ciclos infinitos como em uma espiral”, e como eu acredito em lei de ação e reação (tudo o que fazemos de bom ou mau volta para nós mesmos), acredito em reencarnação e numa continuação infinita da nossa existência (claro sempre evoluindo, porém em ciclos que se repetem e com pessoas que reencontramos), descobri que nossa vida e o universo são extremamente patafísicos e não há como discutir isso (não há, viu?).
E pirando nessa tal da patafísica eu logo lembrei de um livro que marcou a saída da minha infância e entrada na pré adolescência chamado “A História Sem Fim”, e por favor, esqueçam aquele filme medonho com um cachorro gigante, aquilo é um ultraje a belíssima obra do genial Michael Ende. De cara quando soube na aula que o símbolo da patafísica é o Ouroboros, uma cobra mordendo o próprio rabo, o que representa a eternidade pois a cobra fecha um ciclo em si mesma dessa maneira (o símbolo também poderia ser um cachorro mordendo o rabo e girando), me veio a capa do livro em mente, que leva o símbolo do Aurin (figura), amuleto que faz a história girar para seus campos mais sombrios e profundos da mente humana do protagonista Bastian Baltasar Bux (Bastian, nome que deve ser ligado à sua origem latina, da qual provém o nosso termo bastião, e ele é de fato o bastião, o guardião de um reino em perigo).

Você deve bem imaginar que A História Sem Fm é um livro infantil, mas está muito enganado, apesar de o ter lido aos onze anos de idade ainda guardo marcas desta leitura em mim, e preciso o reler para tentar encontrar todas as sacadas patafísicas nele existentes que naquela época não poderia perceber de prontidão. Só pra dar um gostinho, uma sinopse que roubei da wikipédia e adaptei:

O personagem central do livro é um jovem garoto, Bastian, que rouba um livro chamado A História Sem Fim, de uma pequena livraria chamada Alfarrabista. Bastian é um jovem cheio de problemas, que vive apenas com o pai e tem problemas de relacionamento com ele, é caçoado na escola, e tem como melhor amigo o livro que estiver lendo no momento. Fugindo dos problemas ele se esconde no porão da escola e começa a ler o livro que surrupiou da livraria, e a princípio ele é apenas um leitor do livro, que narra a história da terra de Fantasia, o lugar onde todas as fantasias dos humanos se unem. Com o progresso do livro, porém, torna-se claro que alguns habitantes do lugar sentem a presença de Bastian, já que ele é a chave do sucesso da jornada sobre o que ele está lendo. Na metade do livro, ele entra na própria Fantasia e toma um papel mais ativo nela.
A primeira metade do livro é rica em detalhes de imagens e personagens, como num conto de fadas. Na segunda metade, porém, são introduzidos vários temas psicológicos, enquanto Bastian enfrenta a si mesmo, seu lado negro, e segue em frente à maturidade num mundo formado por seus desejos.
O tema central do livro é o poder de cura da imaginação, representado pelo estado em que Fantasia se encontra até que alguém a “salve”, ao reconstruí-la baseado em novas idéias, novos sonhos, porém em sua segunda metade entra na questão profunda de como o ser humano se corrompe com o poder em mãos e o quanto de realmente valioso ele pode perder apenas pelos prazeres, bens materiais…

Parando para analisar, além da História Sem Fim estar dentro de um ciclo Patafísico, pois não apenas Bastian toma o livro da História Sem Fim e vai para Fantasia, antes dele muitos outros também foram, depois dele muitos outros irão e este ciclo jamais acabará, a história tem passagens e referências patafísicas demais de ciclos e ciclos intermináveis, trabalhando com opostos desde cenários que se modificam totalmente entre dia e noite, até personalidades que se tornam inversas. O design do livro é patafísico ao trabalhar com os opostos, é o único livro que li até hoje (e quando li não entendia porque é assim, achava até mesmo absurdo), que trabalha em sua edição com cores opostas, tem o texto em vermelho quando mostra Bastian na Terra, e quando está em Fantasia, mostrando o que se passa dentro do livro, o texto é verde (verde e vermelho são cores opostas). Cada capítulo tem uma figura baseada em uma letra do alfabeto com traços e preenchimentos apenas em verde e vermelho, sendo que cada capítulo a primeira palavra começa com a letra consecutiva do alfabeto (A, B, C…).
Tudo isso é realmente fantástico, estou excessivamente tentado a reler (após anos) este livro. Se você é meu amigo e quiser emprestado, eu tenho… ; D
Fica a dica: A História Sem Fim, de Michael Ende, Editora Martins Fontes.
Fica a promessa: vou reler o livro e fazer uma análise mais profunda (pois a fiz com lembranças de um livro que li há OITO anos).

 Quem leu este post imenso, por favor comente algo.

Abraços!!!

Quer saber mais? Leia também Os Beatles e a Patafísica, da minha amiga Heidy Hellen Werthmüller.

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Tentando… Paixões humanas: não por acaso histórias sem fim…

3 Comentários Add your own

  • 1. Heidy Hellen Werthmüller  |  setembro 11, 2008 às 1:08 pm

    Caraca Vic, é verdade a História sem fim, Ouroboros, sabia que já tinha ouvido isso em algum lugar!
    hahahah
    descobri que Beatles, tambem falava de patafisica! quer coisa melhor que Beatles a patafisica?

    hehehehehehe
    Amei, quero me aprofundar no assunto…..

    Beijos e parabens pelo belo post.

    Werthmüller

    Responder
  • 2. Heidy Hellen Werthmüller  |  setembro 11, 2008 às 2:57 pm

    Vai no meu blog, linkei esse seu post ;))))

    Beijos

    Responder
  • 3. márcia okida  |  setembro 12, 2008 às 3:34 pm

    muito bom! muito patafísico… vou indicar… bjs

    Responder

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