Minha vida em São Paulo – Parte 1: Quase quatro anos depois

julho 2, 2012 at 1:22 am Deixe um comentário

A última vez que escrevi aqui foi em 2009. Desde então quantas dúvidas sobre quem realmente sou. E na verdade ainda estou nesta procura, buscando por algo que me faça completo, dentre tantas coisas que vou sempre carregar comigo, de traumas a lembranças impossíveis de esquecer, do gosto amargo ao mais doce sabor daquilo que pude vivenciar. No final das contas não sou mais aquele garoto de 19 anos cheio daquelas dúvidas, sou um cara de 23 anos e meio, cheio de outros questionamentos.
Durante toda esta “jornada” amizades foram totalmente destruídas, outras se reforçaram e parecem ter se tornado indestrutíveis, enquanto tantas nasceram e se fortificaram, mesmo que em alguns momentos me sinta tão abandonado por alguns amigos, sei que o amor é maior que a presença e estarei aqui, quando precisarem.
E descobri enfim que, como desconfiava, a vida em São Paulo não é nenhum mar de flores, mas também não posso dizer que “não existe amor em SP”. Em dados momentos me enxerguei como uma pessoa muito mais fria, como se tantos acontecimentos fizessem com que me tornasse menos difícil de surpreender, ou fizessem tomar posição de ser menos afetuoso para não me decepcionar ou não causar decepção a outrem. Como dizia uma canção que cantarolei muito com uma amiga (a melhor de todas amigas que fiz nesta cidade, me desculpem os fusquinhas), em 2009, “the coldest heart can’t be brought to life”, e de lá para cá, com isto não concordo, pode sim, ele nunca esteve morto.

Victor Albuquerque – Fotografia 2010

Quando mudei pra São Paulo imaginei que em uma cidade tão superlotada não ficaria sozinho, ledo engano, em menos de três meses vivendo aqui já me peguei trancado no quarto e chorando agarrado ao travesseiro, e Deus, pensar que em tal época imaginava que estaria casado com a idade que tenho, e até alguns planos foram realizados, mas olha só, era uma doce ilusão de que as coisas poderiam ser simples. No primeiro ano que aqui vivi me envolvi com outro alguém também proveniente da região litorânea de onde vim, e no final das contas, quando finalmente estava amando e me envolvi de corpo e alma, quando seria capaz de dar minha vida por essa pessoa, sem exagero (em dados momentos me privei de muitas coisas para me fazer presente e lutar por tal relacionamento), fui abandonado por tal, afinal de contas, ainda haviam tantas experiências a serem vividas em sua vida, tanto a explorar, e se prender a mim seria o maior dos empecilhos.
E este foi o momento onde a bolha estourou.
Me vi perdido em meio a uma cidade que não conhecia sozinho, me vi envolto de pessoas que não me completavam (abertas raras excessões), e em meio a uma depressão explodi tudo que havia construído até então. Revolta. Amores se tornaram ódio. Gratidão se tornou ingratidão. E em meio a eventos de imaturidade e busca por conhecer uma cidade onde eu não sabia viver sozinho, perdi gente que foi muito importante em meu caminho. Quem nunca aprendeu com os erros? Sem tais não seria quem hoje sou.
E toda essa sucessão de erros me levou a caminhos que me trouxeram ao lugar que estou agora. Chegando ao final da faculdade, com um emprego legal, mas que ainda não é o bastante, envolto de gente que me ama e me faz sentir mais confortável, mas ainda me sentindo sozinho em meio a este grande formigueiro. Disposto a abrir meu coração novamente. Com vontade de viver os momentos a dois mais intensamente, de mostrar a que venho, de cuidar e de querer ser cuidado. Mas a solidão às vezes parece tão comum, o egoísmo nas pessoas é algo que pode se assemelhar a um tapa na cara da gente em dados momentos, e com medo de apanhar, ainda me fecho no casulo em determinadas ocasiões. Aí percebo que posso ser ainda mais egoísta que o outro agindo desta forma.

Victor Albuquerque – Fotografia 2010

Mas voltando ao início de tudo, a época de adaptação foi a mais conturbada, onde não sabia bem qual era minha função e de que maneira agir. Eu ainda era muito criança, nem eu entendo como soube lidar com determinadas situações, porém, entendo perfeitamente o porquê dos erros que cometi, e digo com a boca cheia, jamais os repetiria, é muito triste dormir com a culpa pesando sua cabeça contra o travesseiro, e antes que me julguem, duvido que algum de vocês não tenha passado por esta situação. Mas sinto falta de verdade de uma única coisa, a inocência que se perdeu, sei que precisava abandonar grande parte dela pela minha sobrevivência, mas as coisas eram mais fáceis e descomplicadas.
Quando este ciclo acadêmico da minha vida se encerrar de vez talvez eu entenda a importância disto tudo que vivi, em parte entendo, em parte ainda estou absorvendo, por enquanto fico aqui refletindo.

PS: por mais escrotos que tenham sido alguns de meus posts antigos, não sinto vergonha de quem eu sou e do que já escrevi, por isso não iniciarei um blog novo, pretendo apenas renovar este daqui e voltar a exercitar uma das artes que mais amo: a escrita.

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Entry filed under: Autobiográfico, Filosofadas, Relacionamentos, São Paulo.

Vida nova?

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