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Olá, quem estiver perdido por aqui.

Estou criando este blog com o objetivo de publicar algumas coisas que faço, ainda não tenho bem a certeza do que vai rolar por aqui, mas com certeza publicarei textos de minha autoria, trechos de minhas histórias, quem sabe algo de minhas (tentativas de) letras de músicas, poesias, desenhos, músicas, enfim, cousas mil.

Espero que alguém aprecie este espaço que criei dentre os milhares de espaços similares na febre de blogs, que voltou a arder na internet…

Neste primeiro post publicarei uma atividade que fiz para a aula de produção de textos na faculdade, vocês vão entender como a atividade deveria ser feita pois publicarei também o enunciado. Os professores gostaram e deram boas sugestões para melhorar a história, se eu modificá-la com certeza republicarei aqui… Espero que gostem 😀

Considere a seguinte cena:

– Marido e mulher sentados à mesa, no café da manhã.

– Ela bebe suco de laranja e come bolachas. Ele come sucrilhos com leite numa tigela.

– Ambos olham pela janela do apartamento em direção à praia.

– A mulher fala sobre o capítulo da novela exibido na noite anterior; depois, sobre o que precisam comprar no supermercado; e, finalmente, descreve uma nova receita que viu na TV.

– O marido comenta as informações.

Como o diálogo, nesta cena, pode fazer a história avançar?

O sol adentrava pela larga janela de vidro, invasivo, de algum modo iluminava a cabeça de Eduardo e fazia refletir os cabelos dourados na superfície da tigela branca, onde pegando a caixa longa vida despejava leite em seu interior. Estava confortável na cadeira mogno da cozinha simples, ao lado oposto dos quadrados azuis da toalha que se estendia na mesa, Melissa, sua esposa, se acomodava na outra cadeira. Por um instante quando o encarava um fantasma parecia ter passado diante de sua face pálida, que se tornava ainda mais apática devido a seus cabelos escuros e as olheiras de quem nem parecia ter dormido, todavia, foi tão rápido que quando seu esposo a encarava com um sorriso que parecia um pouco artificial, ela também tinha uma nítida máscara de felicidade escondendo suas aflições.

O silêncio parecia se tornar incômodo para ambos. Os únicos sons no ambiente eram do pacote de bolachas água e sal sendo rasgado por Melissa, e quase devorado com o acompanhamento de um copo de suco de laranja, e dos sucrilhos crocantes e bastantes sonoros sendo mastigados despreocupadamente por Eduardo, além do som de ondas do mar estourando que invadia o ambiente em altura razoável. Eles haviam despertado, ido até a pequena cozinha do apartamento, e não tinham trocado qualquer palavra até então. Melissa tentava esconder mas estava nitidamente incomodada, fitava os azulejos decorados da parede, pareciam tão antigos em seus tons pastéis, até perceber que tanto ela quanto seu marido estavam distraidamente encarando o mar… A praia praticamente deserta, era como se só ele e ela estivessem ali, e era tudo o que mais queria, ser sozinha no mundo com Eduardo, mas sabia que quando escolheu amá-lo teria que sofrer as conseqüências.

Melissa decidiu então quebrar o silêncio.

-Ontem na novela aconteceram coisas realmente surpreendentes, eu falei que seria legal se você ficasse acordado. – sua voz era tão doce quanto suas feições tristonhas e preocupadas, porém, parecia um pouco apagada como a de quem estava resfriada ou gritara demais.

-Nada que aconteça em uma novela pode me surpreender. – ele disse com uma expressão nitidamente entediada.

-A mocinha principal, a Joana… – ela retomou a falar como se ele nada tivesse dito.

-É Diana, o nome dela. – ele tinha uma voz séria e locutiva, que combinados a seus olhos escuros e sobrancelhas grossas, faziam com que parecesse um homem realmente sério e mais velho do que era na realidade.

-Tá. – Melissa se incomodava demais com seu péssimo hábito de trocar o nome de tudo e todos – Então, ela fugiu de prisão, pobrezinha, uma carcereira boa que acreditava em sua inocência a ajudou.

Seu marido a encarava ainda sério, ela podia ler em sua mente a palavra “óbvio”, apenas olhando para ele. Ao perceber que o assunto novela e, principalmente, fuga, não eram bons assuntos para o momento ela quis quebrar o silêncio que se tornava mais desagradável a cada segundo.

-Seria tão apetitoso se tivesse um requeijão para espalhar sobre as bolachas, precisamos ir ao supermercado hoje, não temos frutas e a geladeira está sem verduras, principalmente sem o brócolis que você tanto adora. – ela sorriu gentilmente a ele mordiscando uma outra bolacha.

Ele sorriu cortês para ela, suas bochechas infladas pela grande quantidade de cereais matinais que mastigava. Achava incrível a habilidade que ela tinha de sempre querer agradá-lo, ele pensava em como seria bom se a amasse com tanta intensidade quanto via que ela o amava, e isso passava como uma nuvem de culpa diante de sua face, que enrijeceu novamente assistindo os cereais mergulhados no leite branco. A voz de Melissa o despertou novamente.

-Estava pensando em fazer umas tortilhas de brócolis, vi a receita na TV ontem pela manhã e me lembrei de você. – ela o encarou sorrindo e viu que nuvens pairavam diante sua face – Quero preparar essas tortas pra você…

-Eu adoraria que você fizesse. Eu adoraria ir ao mercado com você. – ele respondeu sem olhar diretamente no rosto da esposa.

-Te amo tanto. – Melissa lançou as palavras ao ar.

Aquilo fez com que Eduardo bruscamente levantasse, fazendo um ruído desagradável com a cadeira de madeira sendo empurrada para trás.

Mas que droga, Mel, que droga! – ele praticamente gritou, seu tom de voz era agressivo e rebelde – Será que você não percebe que talvez o silêncio fosse melhor do que esses diálogos corriqueiros que tornam as coisas ainda mais artificiais?

-Edu-

-Cale-se, por favor, cale a boca!

Eduardo virara de costas, indo até a janela, assistindo as ondas do mar agressivas, lágrimas começavam a irromper de seus olhos involuntárias, ele não queria que ela o visse tão frágil, mas ele parecia ter chegado ao seu limite.

-Você sabe, Melissa, que esse é praticamente o fim da nossa estrada. Decidi me entregar, se eu continuar fugindo deles, eles podem nos encontrar e eu me sinto mal, não quero que você seja ferida por eles.

-Eu poderia até morrer por você, mas não quero que você se afaste de mim. – ela se levantou e correu para aconchegá-lo, abraçando-o por trás de seus ombros, quase na ponta dos pés, ele era nitidamente mais alto, respirando com dificuldade em suas costas.

-Você jamais deveria fazer isso por alguém que nem te ama. – ele respondeu frio, as lágrimas já nem estavam mais em seu rosto, ele as secara.

-Claro que ama, ama sim, você que se acha durão demais. Mas ama.

Eduardo retirou os braços que o agarravam, saiu andando na direção oposta, aprofundou os olhos na frágil dama que o encarava, não poderia mais colocá-la sobre risco. Ele se envolveu em coisas erradas, ele quem era o malvado, o vilão que estava chegando ao fim de sua linha. Estava ligeiramente arrependido de tudo que havia feito, mas não por piedade daqueles que em suas mãos sofreram, mas por ver uma mulher que o amava tanto ali, querendo ter uma vida normal ao seu lado.

Na verdade ele a amava. Na realidade ele não queria deixá-la, no entanto sabia, a vingança daqueles que o perseguiam, daqueles a quem tantas maldades fizera estava prestes a se realizar, e ele não iria mais fugir, iria os enfrentar e não ligava mais em ganhar ou perder a batalha.

Então virou de costas para ela, colocando a mão dentro de seu bolso. Ela sabia que era apaixonada por um homem completamente louco. Ele sabia que não era alguém de juízo normal. E na realidade ele amava aquela mulher, mas não permitia que isso transparecesse para ela. Por um momento decidiu que por tanto amá-la haveria apenas uma solução para aquela história, uma maneira de salvá-la. Retirara algo do bolso de sua calça, algo que Melissa não poderia ver e jamais esperasse por isso.

E tudo aconteceu muito rápido.

-Eu te amo, Mel. – disse o homem, seu tom de voz pareceu mais seco do que nunca – Mas você sempre soube que escolheu o homem errado.

Ouvir aquelas palavras fez brotar um sorriso imediato na face de Melissa, era a primeira vez que ele dissera que a amava. E a última. O sorriso ficaria eternamente gravado em sua face até que apodrecesse junto aos vermes que devorariam suas feições. Tão rápido quanto ela pode sorrir, Eduardo virou-se e um estalo alto e rápido foi ouvido no ar.

O coração de Melissa estava literalmente despedaçado e sangrando. Ela jazia com o líquido vermelho escoando a seu redor, Eduardo caminhara calmamente, abaixando diante dela, cerrando os olhos verdes arregalados com as pontas dos dedos, sorrindo como se pela primeira vez naquela manhã estivesse feliz.

-Agora sim, você pode ser feliz, minha doce Mel.

Ele beijou a face da moça morta, como se ela apenas estivesse adormecida. Depois arregalou os olhos, estava completamente desequilibrado. Levantou, começou a gritar. Lançava ao ar palavras como “O que eu fiz?”, enquanto puxava para cima seus cabelos louros.

Jogou ao chão, ao lado do corpo, o revólver, como se sentisse muito nojo daquela arma, então, sem saber o que fazer, andou até a porta da cozinha. Começou a respirar com dificuldade, em intervalos lentos, como se estivesse faltando seu ar. Olhou novamente pra trás e a viu caída ao chão, sem vida, porém sorrindo.

-Melhor assim. – ele praticamente sussurrou para si mesmo, deixando o cômodo como se nada tivesse acontecido.

“Eu poderia até morrer por você, mas não quero que você se afaste de mim.”

A frase dita por ela ainda a pouco veio em sua mente. Ela agora realmente estava morta por ele, mas não no lugar dele, como desejava, sim pelas suas mãos.

Então o homem largara o apartamento, sem nada levar, apenas a lembrança da mulher que teve capacidade de amar um louco, e que ele ainda julgava mais insana do que a ele próprio. Desde o começo ele sabia que aquela história não terminaria bem.

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Comente! Ah, não se esqueçam que ainda sou um jovem escritor amador de 19 anos e fiz essa atividade de última hora, tipo em meia horinha porque tinha esquecido que tinha que entregar ^^

agosto 26, 2008 at 3:40 pm 2 comentários

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